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<journal-id journal-id-type="publisher-id">IR</journal-id>
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<journal-title>Information Research</journal-title>
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<issn pub-type="epub">1368-1613</issn>
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<publisher-name>University of Bor&#x00E5;s</publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.47989/ir30iConf47590</article-id>
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<subject>Research article</subject>
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<article-title>&#x00C9;tica, pol&#x00ED;tica e informa&#x00E7;&#x00E3;o: uma reflex&#x00E3;o conceitual sobre sociedade e comportamento (Ethics, politics, and information: a conceptual reflection on society and behaviour)</article-title>
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<contrib contrib-type="author"><name><surname>Batista</surname><given-names>Vitor Serejo Ferreira</given-names></name>
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<aff id="aff0001"><bold>Vitor Serejo</bold> &#x00E9; doutorando do Programa de P&#x00F3;s-Gradua&#x00E7;&#x00E3;o em Ci&#x00EA;ncia da Informa&#x00E7;&#x00E3;o (PPGCI/UFF), onde pesquisa os arquivos pessoais de escritores. Tem experi&#x00EA;ncia na disciplina &#x00C9;tica e Informa&#x00E7;&#x00E3;o, que leccionou anteriormente. Ele se interessa por outros temas, como estudos de arquivo, produtores de arquivos, literatura, heteronomia e autofic&#x00E7;&#x00E3;o. Pode ser contactado atrav&#x00E9;s do endere&#x00E7;o <email xlink:href="vitorserejo@id.uff.br">vitorserejo@id.uff.br</email></aff>
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<pub-date pub-type="epub"><day>06</day><month>05</month><year>2025</year></pub-date>
<pub-date pub-type="collection"><year>2025</year></pub-date>
<volume>30</volume>
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<fpage>63</fpage>
<lpage>73</lpage>
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<copyright-year>2025</copyright-year>
<copyright-holder>&#x00A9; 2025 The Author(s).</copyright-holder>
<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/">
<license-p>This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License (<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/">http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/</ext-link>), permitting all non-commercial use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.</license-p>
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<title>Abstract</title>
<p><bold>Introduction.</bold> Considering the changes that have occurred in society, from an ethical and political perspective linked to the informational aspects of production, processing, and mediation of information, we propose as our objective a conceptual reflection on society and its behavior.</p>
<p><bold>Method.</bold> Our methodology consists of analysing the concepts linked to society, considered as a matter of critical reflection on the way in which social conduct has been presenting changes in relation to its ethical purpose.</p>
<p><bold>Analysis.</bold> To this end, we ask ourselves how the use of technological devices, as well as social media, such as the internet and other networks, influence this behavior. Along with this, we point to types of knowledge production that we see emerging in research on Brazilian society, as a debate counter-productive to the legacy of colonialism, b4ased on the notion of popular wisdom.</p>
<p><bold>Results.</bold> Our results are based on the hypothesis that, from the knowledge society onwards, our goal is no longer to control information as before, as was the case with the other types of society mentioned, but rather to produce information using these instruments as a source for new information, not necessarily true, fueling a post-truth society that is often not aligned with the values stipulated by the State.</p>
<p><bold>Conclusion.</bold> We conclude that the findings of the researchers cited throughout the work are relevant, as a valid proposal for an ethical sense for the treatment of information in Brazil. Thus, the means presented by researchers such as Rufino (<xref rid="R29" ref-type="bibr">2023</xref>) and Simas (<xref rid="R31" ref-type="bibr">2024</xref>) contribute to a popular and Brazilian notion of an ethical vision of information.</p>
</abstract>
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<body>
<sec id="sec1">
<title>Introdu&#x00E7;&#x00E3;o</title>
<p>Este trabalho se baseia na experi&#x00EA;ncia prestada pelo autor, ainda na primeira metade do ano de 2024, em ocasi&#x00E3;o de ministrar disciplina de gradua&#x00E7;&#x00E3;o no Departamento de Informa&#x00E7;&#x00E3;o, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niter&#x00F3;i, Rio de Janeiro. No devido momento, a disciplina <italic>&#x00C9;tica e Informa&#x00E7;&#x00E3;o</italic> lhe foi oferecida a partir de uma perspectiva epistemol&#x00F3;gica pautada na hist&#x00F3;ria de elementos &#x00E9;ticos ligados &#x00E0; informa&#x00E7;&#x00E3;o, com cunho de elementos presentes nas experi&#x00EA;ncias europeias de reflex&#x00E3;o filos&#x00F3;fica sobre o comportamento da sociedade.</p>
<p>Ao partir de uma explana&#x00E7;&#x00E3;o sobre a &#x00E9;tica, tendo como base o modelo cl&#x00E1;ssico grego aristot&#x00E9;lico, perpassando pelo afastamento da &#x00E9;tica da pol&#x00ED;tica no renascimento, a aproxima&#x00E7;&#x00E3;o da moral kantiana e os desdobramentos dos modelos &#x00E9;ticos ligados &#x00E0; burocracia weberiana e de responsabilidade investigada por Arendt, o questionamento feito na disciplina se fez: quais modelos &#x00E9;ticos que hoje nos s&#x00E3;o apresentados e desenvolvidos no Brasil? Seguimos ainda esse tipo de perspectiva europeia que estudamos?</p>
<p>O intuito destas perguntas, portanto, se baseiam nos resultados obtidos desta reflex&#x00E3;o, junto aos alunos da disciplina, sobre a exist&#x00EA;ncia de um papel da sociedade brasileira sobre a &#x00E9;tica, tendo como ponto de partida a reflex&#x00E3;o acerca de alguns fen&#x00F4;menos ligados ao conceito de sociedade, aqui em espec&#x00ED;fico: sociedade do controle, sociedade de informa&#x00E7;&#x00E3;o e sociedade do conhecimento.</p>
<p>Para nossa reflex&#x00E3;o neste trabalho, trabalhamos com a an&#x00E1;lise de conceitos ligados ao campo da informa&#x00E7;&#x00E3;o, entre eles os citados: sociedade de vigil&#x00E2;ncia, sociedade de controle, sociedade da informa&#x00E7;&#x00E3;o e sociedade do conhecimento. Al&#x00E9;m da proposta deste debate conceitual, tamb&#x00E9;m fazemos uso de uma metodologia qualitativa, tendo como m&#x00E9;todo uma revis&#x00E3;o bibliogr&#x00E1;fica sobre estes conceitos, assim como de obras que surgem como propostas de exposi&#x00E7;&#x00E3;o sobre esse saber popular, muito dele provindo das experi&#x00EA;ncias da di&#x00E1;spora.</p>
<p>Compreendemos o saber popular como o conhecimento que emana do povo, de forma a se encontrar nas suas repeti&#x00E7;&#x00F5;es ou nas a&#x00E7;&#x00F5;es do povo, como rituais de tradi&#x00E7;&#x00E3;o religiosa, tipos de comida e costumes caracter&#x00ED;sticos de uma regi&#x00E3;o em espec&#x00ED;fico. Esse tipo de costume, apresentado por Edison Carneiro em A sabedoria popular (2008), &#x00E9; uma fonte de possibilidade para a compreens&#x00E3;o do ser no Brasil que antes era conhecido como um ser escravizado.</p>
</sec>
<sec id="sec2">
<title>Sobre os conceitos de sociedade</title>
<p>&#x00C9; curioso pensarmos que uma sociedade se forma por conta da maneira como ela se interage, cria h&#x00E1;bitos e costumes, valores e cren&#x00E7;as. Todos estes apetrechos citados s&#x00E3;o movidos e formados por duas vertentes fundamentais: comunica&#x00E7;&#x00E3;o e informa&#x00E7;&#x00E3;o. Saber comunicar ou como comunicar, fazer uso dos ve&#x00ED;culos adequados e oportunos &#x00E9; quase uma arte, um jogo de palavras prop&#x00ED;cias, macete escolhido pelo emissor para com o seu receptor, ou locutor com o interlocutor. No caso da informa&#x00E7;&#x00E3;o, a mensagem &#x00E9; um dilema. Isso porque, segundo Capurro (2007), podemos considerar a informa&#x00E7;&#x00E3;o como um elemento fundamental das sociedades contempor&#x00E2;neas, principalmente a partir da segunda guerra mundial.</p>
<p>A partir desta pot&#x00EA;ncia dada &#x00E0; informa&#x00E7;&#x00E3;o, podemos pensar que sua media&#x00E7;&#x00E3;o, assim como seu controle, leva a uma forma&#x00E7;&#x00E3;o de sociedade espec&#x00ED;fica, pautada por alguns e difundida para muitos, os quais muitas das vezes n&#x00E3;o sabem ou n&#x00E3;o podem mud&#x00E1;-la. Essa afirma&#x00E7;&#x00E3;o, um tanto rom&#x00E2;ntica e com tons revolucion&#x00E1;rios n&#x00E3;o &#x00E9; &#x00E0; toa, mas n&#x00E3;o procura no leitor um grito de guerra ou revolta. Faz parte da constru&#x00E7;&#x00E3;o social em que se d&#x00E1; uma sociedade que busca nos valores morais e de controle um modelo pr&#x00F3;prio, por&#x00E9;m nada original.</p>
<p>Dito isso, numa perspectiva geral e hist&#x00F3;rica, podemos compreender o conceito de sociedade como uma estrutura composta pelas institui&#x00E7;&#x00F5;es e os tipos de rela&#x00E7;&#x00E3;o social presentes em uma comunidade. Proveniente das pessoas que ali se apresentam, tal como os modos de opera&#x00E7;&#x00E3;o social como interagem entre si, a sociedade tem por si uma esp&#x00E9;cie de hierarquiza&#x00E7;&#x00E3;o social, tendendo a ser dividida. Esse tipo de divis&#x00E3;o n&#x00E3;o s&#x00F3; possibilita uma desigualdade entre as pessoas e os grupos que ali est&#x00E3;o, como tamb&#x00E9;m acena para uma distribui&#x00E7;&#x00E3;o de valores e regras que a comp&#x00F5;em.</p>
<p>Nessa reflex&#x00E3;o acerca destes valores sociais que ali est&#x00E3;o, se apresenta a &#x00E9;tica, como um modo de pensamento que prop&#x00F5;e o debate sobre estes costumes limitados por um per&#x00ED;odo de tempo, quest&#x00F5;es culturais e outros adventos que possam remeter a ideia de moral. O controle das a&#x00E7;&#x00F5;es e a padroniza&#x00E7;&#x00E3;o sobre a ideia de moral, ainda mais aproximada da &#x00C9;tica kantiana (<xref rid="R20" ref-type="bibr">Marcondes, 2005</xref>.), em meados do s&#x00E9;culo XVIII, fez com que parte desta sociedade, assim como suas institui&#x00E7;&#x00F5;es, c&#x00F3;digos e dispositivos legais, se tornassem grupos ligados a um poder.</p>
<p>O poder, de maneira geral, possibilita com que uma sociedade seja governada ou se mantenha de forma conservada aos membros que ali se det&#x00E9;m no poder. Sendo assim, estabelecer meios de exercer esse tipo de manuten&#x00E7;&#x00E3;o se fizeram not&#x00E1;veis ao longo dos anos, aqui em particular do s&#x00E9;culo XX. Entre esses meios, destacamos o surgimento das sociedades de controle e vigil&#x00E2;ncia (<xref rid="R16" ref-type="bibr">Deleuze, 1992</xref>).</p>
<p>O que antes se fazia perceber em uma sociedade pautada pela disciplina, atrav&#x00E9;s de aparelhos ideol&#x00F3;gicos do Estado (<xref rid="R2" ref-type="bibr">Althusser, 1967</xref>), percebemos como um controle destes aparelhos sobre o sujeito que ali se fazia como um ser m&#x00F3;vel na sociedade. Sua mobilidade, no entanto, se fazia dentro de uma esfera restrita de atua&#x00E7;&#x00E3;o, tendo como pauta maior os ambientes caracter&#x00ED;sticos de controle social: escola, igreja, fam&#x00ED;lia, etc. At&#x00E9; mesmo as rodas de amigos poderiam ser vistos como tal espa&#x00E7;o de controle, uma vez que os atos das pessoas se mantinham num mesmo padr&#x00E3;o. Cen&#x00E1;rio um tanto dist&#x00F3;pico em termos liter&#x00E1;rios, esse tipo de modelo social s&#x00F3; se intensificou com o avan&#x00E7;o tecnol&#x00F3;gico, principalmente num cen&#x00E1;rio eletr&#x00F4;nico. C&#x00E2;meras de vigil&#x00E2;ncia, substitutas dos olhos de uma supervis&#x00E3;o humana, podem ser um excelente molde figurativo de uma sociedade de vigil&#x00E2;ncia, bem aos moldes foucaultianos do pan&#x00F3;ptico desenvolvido por Bentham, ainda no s&#x00E9;culo XIX.</p>
<p>Se pensarmos em modelos mais contempor&#x00E2;neos, esse tipo de fen&#x00F4;meno se d&#x00E1; no controle de dados ou na vigil&#x00E2;ncia de imagens produzidas como desempenho de ostenta&#x00E7;&#x00E3;o nas redes sociais, seja por quest&#x00F5;es psicol&#x00F3;gicas ligadas &#x00E0; necessidade de exposi&#x00E7;&#x00E3;o do eu, ou mesmo pela demonstra&#x00E7;&#x00E3;o em registro da experi&#x00EA;ncia. Zuboff (<xref rid="R33" ref-type="bibr">2021</xref>), por exemplo, nos demonstra como a figura do sujeito cliente para com a sociedade, ou com quem a controla, exp&#x00F5;e as nuances de um capitalismo de vigil&#x00E2;ncia contempor&#x00E2;neo. Os dados, hoje em dia, como a mesma nos lembra em sua obra, s&#x00E3;o t&#x00E3;o valiosos quanto o petr&#x00F3;leo em outras &#x00E9;pocas.</p>
<p>Da mesma forma, Beiguelman (<xref rid="R5" ref-type="bibr">2021</xref>) nos demonstra como a quest&#x00E3;o dos status como modo de experi&#x00EA;ncia digital, por&#x00E9;m um tanto social por raz&#x00E3;o das redes, produz reflex&#x00F5;es na comunica&#x00E7;&#x00E3;o, nas rela&#x00E7;&#x00F5;es afetivas, assim como nas estruturas de produ&#x00E7;&#x00E3;o documental. Esse tipo de resultados nos aponta para uma mudan&#x00E7;a est&#x00E9;tica de vigil&#x00E2;ncia, que n&#x00E3;o se ocupa somente das faces nas redes, mais se expande em outros ambientes pela cidade, como em ambientes de espet&#x00E1;culos sonoros, tais concertos de m&#x00FA;sica, jogos esportivos, at&#x00E9; mesmo festas de rua, como nas festas de final de ano no Rio de Janeiro e no Carnaval.</p>
<p>No sentido mais pr&#x00F3;ximo de reflex&#x00F5;es como as de Debord (1973), parecer &#x00E9; um elemento fundamental em uma sociedade que tem a necessidade em se mostrar, mesmo que essa amostra pessoal seja por meio de uma experi&#x00EA;ncia incompleta, talvez mais pr&#x00F3;xima de uma pobreza, como nos chama aten&#x00E7;&#x00E3;o Benjamin (<xref rid="R6" ref-type="bibr">1994</xref>). Essa aus&#x00EA;ncia de uma ess&#x00EA;ncia das atividades, por assim dizer, pode ser compreendida num ambiente em que n&#x00E3;o compreendemos um porqu&#x00EA; em fazer, mas fazemos porque temos de fazer. Em outras palavras, um condicionamento. Em uma sociedade que vivenciou uma experi&#x00EA;ncia colonial e &#x00E0; nega como hist&#x00F3;ria, isso se torna curioso por abra&#x00E7;ar mais a experi&#x00EA;ncia do colonizador do que a do colonizado, de se parecer mais com o outro do que se reconhecer como &#x00E9;.</p>
</sec>
<sec id="sec3">
<title>Reflex&#x00F5;es acerca da tecnologia e da sabedoria popular</title>
<p>As quest&#x00F5;es ligadas ao desenvolvimento das tecnologias s&#x00E3;o, de certo modo, um tanto interessantes no que diz respeito &#x00E0; compreens&#x00E3;o do que seria a tecnologia. Hoje em dia, muito assimilada &#x00E0; id&#x00E9;ia dos meios digitais e eletr&#x00F4;nicos, a tecnologia nada mais &#x00E9; do que uma habilidade aplicada para se desenvolver um modo de fazer algo, um conjunto de processos para se chegar ao objetivo de se saber fazer. Estas formas de aprimoramento do forma em se fazer algo, essa t&#x00E9;cnica espec&#x00ED;fica, &#x00E9; o que compreendemos por tecnologia (<xref rid="R4" ref-type="bibr">Aulete, 2011</xref>.).</p>
<p>O uso de dispositivos eletr&#x00F4;nicos, assim como o de programas desenvolvidos para um desenvolvimento de comunica&#x00E7;&#x00E3;o e integra&#x00E7;&#x00E3;o social em ambiente virtual, se propagou em princ&#x00ED;pios do s&#x00E9;culo XXI, se tornando um s&#x00ED;mbolo interessante do futuro desse in&#x00ED;cio de novo s&#x00E9;culo. Atrav&#x00E9;s de um recorte de tempo, principalmente no per&#x00ED;odo pand&#x00EA;mico de 2020 em diante, fizemos destes dispositivos um instrumento di&#x00E1;rio e, praticamente, indispens&#x00E1;vel na forma de se manter visto.</p>
<p>Sobre a quest&#x00E3;o do dispositivo, gostar&#x00ED;amos de propor uma breve reflex&#x00E3;o sobre o termo, a partir da no&#x00E7;&#x00E3;o trazida por Agamben (<xref rid="R1" ref-type="bibr">2005</xref>), na qual o autor nos apresenta a hip&#x00F3;tese que "a palavra "dispositivo"[...] seja um termo t&#x00E9;cnico decisivo na estrat&#x00E9;gia do pensamento de Foucault&#x201D; (<xref rid="R1" ref-type="bibr">Agamben, 2005</xref>, p. 9). Esse pensamento de Foucault, citado por Agamben, faz refer&#x00EA;ncia a no&#x00E7;&#x00E3;o foucaultiana de dispositivo de poder, a qual nos desdobramos agora. Segundo o fil&#x00F3;sofo italiano, s&#x00E3;o tr&#x00EA;s as possibilidades de atua&#x00E7;&#x00E3;o, sendo elas:</p>
<list list-type="order">
<list-item><p>&#x00C9; um conjunto heterog&#x00EA;neo, que inclui virtualmente qualquer coisa, lingu&#x00ED;stico e n&#x00E3;o-lingu&#x00ED;stico no mesmo t&#x00ED;tulo: discursos, institui&#x00E7;&#x00F5;es, edif&#x00ED;cios, leis, medidas de seguran&#x00E7;a, proposi&#x00E7;&#x00F5;es filos&#x00F3;ficas etc. O dispositivo em si mesmo &#x00E9; a rede que se estabelece entre esses elementos.</p></list-item>
<list-item><p>O dispositivo tem sempre uma fun&#x00E7;&#x00E3;o estrat&#x00E9;gica concreta e se inscreve em uma rela&#x00E7;&#x00E3;o de poder;</p></list-item>
<list-item><p>&#x00C9; algo geral (uma rede) porque inclui em si a episteme, que para Foucault &#x00E9; aquilo que em certa sociedade permite distinguir o que &#x00E9; aceito como um enunciado cient&#x00ED;fico daquilo que n&#x00E3;o &#x00E9; cient&#x00ED;fico (<xref rid="R1" ref-type="bibr">Agamben, 2005</xref>, p. 9-10).</p></list-item>
</list>
<p>Nesse ponto, o que fazemos &#x00E9; uma aproxima&#x00E7;&#x00E3;o deste dispositivo mencionado por Agamben, e que remete a Foucault, para o dispositivo eletr&#x00F8;nico, tal como as redes sociais, e porque n&#x00E3;o os aparelhos usados de suporte para esses programas e redes, para debater sobre essa estrat&#x00E9;gia prevista pelo fil&#x00F3;sofo italiano. O que podemos perceber &#x00E9; que em meio a um discurso de comunidade e felicidade das redes, o que tamb&#x00E9;m temos s&#x00E3;o milhares de postagens, que remetem a outro n&#x00FA;mero avassalador de informa&#x00E7;&#x00F5;es, com o intuito de promover entre seus usu&#x00E1;rios uma finalidade de comunica&#x00E7;&#x00E3;o e visualidade pessoal.</p>
<p>Quando pensamos na quest&#x00E3;o de "ser visto", como forma de exist&#x00EA;ncia, podemos perceber como que a necessidade em se expor, assim como a maneira como nos expomos para ser um dilema para muitos, por conta de sua maneira de lidar com a tecnologia em maior destaque. As redes sociais tamb&#x00E9;m se tornaram um chamariz de nos percebermos enquanto pessoas, de forma que muitas pessoas, ao se ausentar das redes, parecem estar se ausentando da vida p&#x00FA;blica, ou de uma esfera de sociabilidade.</p>
<p>Pensar isso como uma verdade &#x00E9; no m&#x00ED;nimo question&#x00E1;vel. Mas descartar essa reflex&#x00E3;o &#x00E9; no entanto uma falha, no sentido de compreendermos a for&#x00E7;a pungente por tr&#x00E1;s das redes sociais. E n&#x00E3;o s&#x00F3; isso, o uso de intelig&#x00EA;ncia artificial, tal como a deepfake e outras formas de produ&#x00E7;&#x00E3;o de conte&#x00FA;do - muitas das vezes vinculado ao uso da imagem como recurso de informa&#x00E7;&#x00E3;o - vem se tornando algo a ser n&#x00E3;o s&#x00F3; observado, mas estudado.</p>
<p>Este trabalho n&#x00E3;o vai se debru&#x00E7;ar nessas quest&#x00F5;es tecnol&#x00F3;gicas, mas nas repercuss&#x00F5;es que estas v&#x00EA;m causando na sociedade, principalmente na experi&#x00EA;ncia brasileira.</p>
<p>Simas (<xref rid="R31" ref-type="bibr">2024</xref>), em sua obra <italic>Umbandas: uma hist&#x00F3;ria do Brasil</italic>, nos alerta para esse fen&#x00F4;meno, assim como o resultado de uma experi&#x00EA;ncia brasileira voltado para uma quest&#x00E3;o cultural que se fortalece ao longo dos anos, da seguinte forma:
<disp-quote>
<p>Em tempos cada vez mais marcados por rela&#x00E7;&#x00F5;es mediadas por redes sociais online, capazes de conectar pessoas ou institui&#x00E7;&#x00F5;es que a princ&#x00ED;pio partilham interesses, pr&#x00E1;ticas e objetivos comuns, &#x00E9; impressionante a quantidade de conte&#x00FA;do vinculado &#x00E0;s umbandas: giras, consultas e at&#x00E9; entrevistas com entidades veiculadas no YouTube, fotos compartilhadas com textos no instagram, postagens no Facebook, fios no Twitter, v&#x00ED;deos curtos no TikTok, pipocam em grande profus&#x00E3;o nas redes (<xref rid="R31" ref-type="bibr">Simas, 2024</xref>, p.7)</p>
</disp-quote></p>
<p>O que podemos perceber na afirma&#x00E7;&#x00E3;o do professor Simas &#x00E9; a de que as redes sociais s&#x00E3;o um, se n&#x00E3;o o melhor ve&#x00ED;culo comunicativo da nossa era, de forma que difunde temas dos mais variados, e por que n&#x00E3;o dizer, de importante reflex&#x00E3;o a n&#x00ED;vel nacional, como &#x00E9; o caso da Umbanda no Brasil. N&#x00E3;o estamos aqui propondo uma divulga&#x00E7;&#x00E3;o ou explana&#x00E7;&#x00E3;o de cunho religioso. Mas o que propomos &#x00E9; uma reflex&#x00E3;o a partir de um tipo de pensamento que se forma nesta pr&#x00E1;tica vinculada &#x00E0; uma heran&#x00E7;a diasp&#x00F3;rica africana e que se encontra no Brasil numa encruzilhada de possibilidades.</p>
<p>Ainda sobre isso, o que gostar&#x00ED;amos de pensar aqui n&#x00E3;o &#x00E9; necessariamente o conte&#x00FA;do imag&#x00E9;tico exposto nas redes sociais, mas o fen&#x00F4;meno provocado por elas no quesito difus&#x00E3;o desta informa&#x00E7;&#x00E3;o. O papel que antes parecia ser de institui&#x00E7;&#x00F5;es tais como os arquivos, as bibliotecas, museus e centros de mem&#x00F3;ria, hoje j&#x00E1; superou a televis&#x00E3;o como ve&#x00ED;culo de maior alcance, e tem nas redes sociais e na internet seu maior difusor.</p>
<p>Dito isso, em contraponto a produ&#x00E7;&#x00E3;o imag&#x00E9;tica esplanada, gostar&#x00ED;amos de refletir sobre a necessidade de se formar imagens que n&#x00E3;o necessariamente s&#x00E3;o verdade, ou seja, um rompimento para com o que &#x00E9;; um foco para o que parece ou poderia ser. Nesse quesito, o uso das imagens como uma cren&#x00E7;a na verdade, ou a possibilidade de confirma&#x00E7;&#x00E3;o de algo em que se pode crer, &#x00E9; o que nos parece mais necess&#x00E1;rio nesta cr&#x00ED;tica. Ent&#x00E3;o, por que dependemos tanto das imagens como de um recurso informacional v&#x00E1;lido?</p>
<p>Assim como o uso da imagina&#x00E7;&#x00E3;o tecnol&#x00F3;gica e digital &#x00E9; de grande efeito em nosso tempo, o que propomos aqui &#x00E9; a observa&#x00E7;&#x00E3;o de um recurso tecnol&#x00F3;gico anal&#x00F3;gico que, por muitos, parece esquecido: o gesto da tradi&#x00E7;&#x00E3;o das a&#x00E7;&#x00F5;es, a partir do uso cotidiano de falas, dan&#x00E7;as, cantos, quaisquer sejam as a&#x00E7;&#x00F5;es, de forma a transmitir esse recurso como uma sabedoria popular.</p>
<p>A sabedoria popular, enquanto uma forma de produ&#x00E7;&#x00E3;o do conhecimento, capaz de ser coletada, organizada e tratada, &#x00E9; um recurso interessante para os estudos em organiza&#x00E7;&#x00E3;o do conhecimento, uma vez que traz consigo uma potencial metodologia popular, a partir de uma s&#x00E9;rie de t&#x00E9;cnicas e maneiras de fazer, as quais comp&#x00F5;em esses saberes como um jeito particular de um pensamento, uma potencial ci&#x00EA;ncia. Na verdade, esse tipo de a&#x00E7;&#x00E3;o nos parece mais com uma proposta decolonial do conhecimento, com o objetivo de deixar transparecer a&#x00E7;&#x00F5;es &#x00E9;ticas e propostas epistemol&#x00F3;gicas de culturas oprimidas, e que no entanto, vem praticando estrat&#x00E9;gias de troca de informa&#x00E7;&#x00E3;o e afirma&#x00E7;&#x00E3;o de saberes por meio de publica&#x00E7;&#x00F5;es f&#x00ED;sicas editoriais e, como j&#x00E1; mencionamos, difus&#x00E3;o via redes sociais. Sobre esse processo de descoloniza&#x00E7;&#x00E3;o do conhecimento, Garcez e Sales (2021) nos afirmam que:
<disp-quote>
<p>A descoloniza&#x00E7;&#x00E3;o do conhecimento est&#x00E1; presente em diversas abordagens que se colocam contra as perspectivas hegem&#x00F4;nicas de produ&#x00E7;&#x00E3;o do conhecimento. Quando nos voltamos para os saberes que se colocam como contracoloniais ou decoloniais, podemos pensar, por exemplo, nas perspectivas oriundas de mulheres, pessoas de origem latina, africana, ind&#x00ED;gena, amer&#x00ED;ndia ou ribeirinha (<xref rid="R17" ref-type="bibr">Garcez; Sales, 2021</xref>, p. 7).</p>
</disp-quote></p>
<p>Ao pensarmos isso, gostar&#x00ED;amos de expor algumas destas sabedorias populares, as quais nos parecem ser poderosos agentes de mudan&#x00E7;a na forma como a sociedade se compreende como tal, a ponto de se afirmar mais como um fruto de seu meio do que um reflexo de um processo colonial, a qual provocou na mesma tempos de controle e explora&#x00E7;&#x00E3;o.</p>
<sec id="sec3_1">
<title>O ser em ginga: Meios de reflex&#x00E3;o sobre a informa&#x00E7;&#x00E3;o</title>
<p>Primeiramente, esse conceito, trazido por Rufino (<xref rid="R29" ref-type="bibr">2023</xref>) remete a ideia do jogo de corpo, como uma analogia &#x00E0; capoeira, uma rela&#x00E7;&#x00E3;o do corpo que opera em frente dupla, ora em defesa, ora em ataque. Esse movimento provocado na reflex&#x00E3;o de Rufino nos faz pensar na constru&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E9;tica desse conceito, no sentido de provocar um equil&#x00ED;brio de for&#x00E7;as na sociedade.</p>
<p>Para falarmos em sabedorias populares, como as j&#x00E1; mencionadas &#x00E9;tica da ginga e a &#x00E9;tica ind&#x00ED;gena, precisamos falar em sociedade da informa&#x00E7;&#x00E3;o e do conhecimento. Da mesma forma, precisamos diferenciar um conceito do outro. A sociedade da informa&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E9; um fen&#x00F4;meno que surge no s&#x00E9;culo XX, mas que pode ser compreendido gra&#x00E7;as aos avan&#x00E7;os cient&#x00ED;ficos do s&#x00E9;culo XIX, principalmente nas esferas de levantamento de informa&#x00E7;&#x00F5;es sobre o mundo, Nesse sentido, Paul Otlet pode ser considerado um agente valioso nesse aspecto, uma vez que foi quem procurou desempenhar um papel de mapear o mundo (<xref rid="R18" ref-type="bibr">Juv&#x00EA;ncio, 2021</xref>). Tal estrutura&#x00E7;&#x00E3;o visada por Otlet, por&#x00E9;m, compreendia um mundo que se limitava aos interesses europeus.</p>
<p>Percebendo isso, classificar uma sociedade como "da informa&#x00E7;&#x00E3;o", &#x00E9; no m&#x00ED;nimo arbitr&#x00E1;rio, uma vez que voc&#x00EA; delimita os atores que ali se inserem nesta sociedade, neste grupo global. Em outras palavras, mesmo que outros pa&#x00ED;ses sejam trazidos para esse debate, eles mais parecem marionetes perif&#x00E9;ricos dos outros, comandantes da festa. Tendo isso em mente, Mattelart (<xref rid="R21" ref-type="bibr">2006</xref>), nos alerta sobre o seguinte cen&#x00E1;rio:
<disp-quote>
<p>Na produ&#x00E7;&#x00E3;o do imagin&#x00E1;rio em torno desse futuro balizado, a tecnologia e o discurso de acompanhamento que a serve ocupam uma posi&#x00E7;&#x00E3;o decisiva e singular. O mesmo vale para as apologias da "sociedade da informa&#x00E7;&#x00E3;o", promovida a paradigma dominante da mudan&#x00E7;a e cau&#x00E7;&#x00E3;o de um mundo "mais solid&#x00E1;rio, transparente, livre, igualit&#x00E1;rio". Ora, a sociedade prometida atribu&#x00ED;da &#x00E0; nova mat&#x00E9;ria-prima imaterial s&#x00F3; evidencia seu sentido em uma configura&#x00E7;&#x00E3;o geopol&#x00ED;tica (<xref rid="R21" ref-type="bibr">Mattelart, 2006</xref>, p. 7).</p>
</disp-quote></p>
<p>Num sentido mais interessante, por&#x00E9;m tamb&#x00E9;m question&#x00E1;vel, o surgimento da sociedade de conhecimento possibilita alternativas interessantes sobre essa mudan&#x00E7;a de cen&#x00E1;rio globalizado, promovida pela sociedade da informa&#x00E7;&#x00E3;o. O conhecimento, segundo Lyotard (<xref rid="R19" ref-type="bibr">2021</xref>), se apresenta como uma das principais for&#x00E7;as de produ&#x00E7;&#x00E3;o nos &#x00FA;ltimos tempos, seja em quest&#x00F5;es cient&#x00ED;ficas, de trabalho ou quest&#x00F5;es pessoais. Numa possibilidade de compreens&#x00E3;o mesmo p&#x00F3;s-moderna, o enriquecer do conhecimento, assim como seu controle, &#x00E9; um mecanismo interessante, uma vez que abre brechas para outros conhecimentos que at&#x00E9; agora pareciam n&#x00E3;o avistados.</p>
<p>Para Mattelart (<xref rid="R22" ref-type="bibr">2005</xref>), esse conhecimento nos &#x00E9; apresentado, principalmente, por meio da documenta&#x00E7;&#x00E3;o produzida. A ideia de documenta&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E9; objeto de reflex&#x00E3;o mesmo em tempos de Otlet, seja pelo Tratado da Documenta&#x00E7;&#x00E3;o (2018), seja por meio das contribui&#x00E7;&#x00F5;es de Suzanne Briet (2016) ainda nos anos de 1950. A forma como o documento se torna um elemento de validade hist&#x00F3;rica, seja em &#x00E2;mbito da mem&#x00F3;ria ou recurso jur&#x00ED;dico, faz com que possamos pensar nele, o documento, como um objeto v&#x00E1;lido na constru&#x00E7;&#x00E3;o de cum conhecimento. &#x00C9; a&#x00ED; que nos perguntamos: mas quem produz esse documento? O discurso produzido pelo documento &#x00E9; ponto fundamental para compreend&#x00EA;-lo. Exatamente nesse quesito &#x00E9; que gostar&#x00ED;amos de pensar na ideia de <italic>sabedorias de fresta</italic>, numa forma de entrelinhas do que se pode considerar oficial por uma linha de cultura, e inserir outros tipos de conhecimento no debate. Rufino (<xref rid="R28" ref-type="bibr">2019</xref>) nos aponta as sabedorias de fresta como "Mandinga, incorpora&#x00E7;&#x00E3;o, ginga, nega&#x00E7;a, transe, rol&#x00EA;, ef&#x00F3;, amarra&#x00E7;&#x00E3;o, feiti&#x00E7;o, terreiro, esquiva, drible [...] marcas que tecem esse invent&#x00E1;rio assente nos limites do corpo" (<xref rid="R28" ref-type="bibr">Rufino, 2019</xref>, p. 68).</p>
<p>Apesar de mencionarmos a quest&#x00E3;o da sociedade nesse trabalho, no intuito de adentrarmos um territ&#x00F3;rio mais espec&#x00ED;fico do pensamento aqui proposto, utilizamos o conceito de campo, de Bourdieu, mais espec&#x00ED;fico o conceito de campo social que o mesmo apresenta. Na composi&#x00E7;&#x00E3;o de campo para Bourdieu (2008), um campo pode se apresentar de maneiras diferentes, como met&#x00E1;foras que fazem analogia a quest&#x00F5;es ligadas, por exemplo, a um jogo. Aqui n&#x00E3;o compreendemos o jogo como uma partida ou uma disputa esportiva, na qual temos algu&#x00E9;m contra algu&#x00E9;m. Mas sim uma sugest&#x00E3;o de agentes que ocupam espa&#x00E7;os de forma limitada. Esses agentes seriam, por exemplo, pessoas e institui&#x00E7;&#x00F5;es.</p>
<p>O que gostar&#x00ED;amos de pensar aqui &#x00E9; num sentido de jogo de equil&#x00ED;brio, um jogo de capoeira, na qual o campo se converte em uma esp&#x00E9;cie de roda e os agentes que est&#x00E3;o presentes jogam, no sentido de n&#x00E3;o provocar o desequil&#x00ED;brio do jogo, ou seja, seu t&#x00E9;rmino. Essa a&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E9; poss&#x00ED;vel gra&#x00E7;as ao movimento que se d&#x00E1; na roda. O movimento do corpo, o canto, a dan&#x00E7;a, ou seja, as t&#x00E9;cnicas que envolvem o jogo. Esse movimento, pot&#x00EA;ncia para um equil&#x00ED;brio, atua como um <italic>meio justo</italic>, quase como um pensamento aristot&#x00E9;lico sobre a &#x00E9;tica. Segundo Rufino (<xref rid="R29" ref-type="bibr">2023</xref>), podemos entender esse processo de uma forma educacional, como fundamento corporal e pr&#x00E1;tica mandingueira. Diz o seguinte:
<disp-quote>
<p>Os disc&#x00ED;pulos de Arist&#x00F3;teles ficaram conhecidos como peripat&#x00E9;ticos. A palavra, que no grego compreende a no&#x00E7;&#x00E3;o de itinerante ou ambulante, fazia men&#x00E7;&#x00E3;o &#x00E0; maneira como o fil&#x00F3;sofo ensinava caminhando ao ar livre. A aposta da educa&#x00E7;&#x00E3;o aristot&#x00E9;lica tinha alguns princ&#x00ED;pios, um deles destaca a defesa de que a principal fun&#x00E7;&#x00E3;o da educa&#x00E7;&#x00E3;o seria conduzir as pessoas &#x00E0; felicidade. A palavra condu&#x00E7;&#x00E3;o como tra&#x00E7;o de uma aprendizagem itinerante e o processo educativo como parte de um cont&#x00ED;nuo movimento que demanda corpo enredam o que ficou famoso na rela&#x00E7;&#x00E3;o entre o fil&#x00F3;sofo e seus disc&#x00ED;pulos, as m&#x00FA;ltiplas formas de educar presentes em outras culturas (<xref rid="R29" ref-type="bibr">Rufino, 2023</xref>, p. 78).</p>
</disp-quote></p>
<p>Perceber a educa&#x00E7;&#x00E3;o aristot&#x00E9;lica aproximada ao tipo de reflex&#x00E3;o trazido por Rufino, nos faz debater sobre a felicidade como objetivo fim da reflex&#x00E3;o &#x00E9;tica, trazida pelo grego em sua obra &#x00C9;tica &#x00E0; Nic&#x00F4;maco (1991). Ao trazer para a ideia de virtude como a a&#x00E7;&#x00E3;o que possibilita uma vis&#x00E3;o &#x00E9;tica sobre as coisas, Arist&#x00F3;teles prop&#x00F5;e esse meio justo, um equil&#x00ED;brio sobre as decis&#x00F5;es. Esse mesmo tipo de a&#x00E7;&#x00E3;o pode ser reconhecida nas rodas de capoeira como a possibilidade em deixar vis&#x00ED;vel o movimento da roda, que tem justificativa porque gira, e n&#x00E3;o porque para. Assim, proporciona o movimento, o canto, a dan&#x00E7;a, ou seja, os elementos da tradi&#x00E7;&#x00E3;o da capoeira. &#x00C9; um pensamento, um conhecimento, um jogo.</p>
<p>Nesse mesmo pensamento, Rosa (<xref rid="R27" ref-type="bibr">2013</xref>) nos apresenta o conceito de Pedagoginga, como um tipo de compreens&#x00E3;o educativa atrav&#x00E9;s da ginga, da est&#x00E9;tica da ginga. Diz o pensador mineiro o seguinte:
<disp-quote>
<p>a miragem da Pedagoginga &#x00E9; firmar no fortalecimento de um movimento social educativo que conjugue o que &#x00E9; simb&#x00F3;lico e o que &#x00E9; pra encher a barriga, o que &#x00E9; est&#x00E9;tico e pol&#x00ED;tico em uma proposta de forma&#x00E7;&#x00E3;o e de autonomia, que se encoraje a pensar vigas e detalhes de nossas mem&#x00F3;rias, tradi&#x00E7;&#x00F5;es, desejos [...] (<xref rid="R27" ref-type="bibr">Rosa, 2013</xref>, p. 15).</p>
</disp-quote></p>
<p>Esse campo, tal como uma roda, tem determinado espa&#x00E7;o de atua&#x00E7;&#x00E3;o e que seus agentes interagem e comp&#x00F5;em essa estrutura. A roda se torna um espa&#x00E7;o de educa&#x00E7;&#x00E3;o, que gira na busca pelo conhecimento do equil&#x00ED;brio, da continuidade da a&#x00E7;&#x00E3;o. Mas apesar disso, Sodr&#x00E9; (<xref rid="R32" ref-type="bibr">1988</xref>) nos alerta sobre esse conhecimento que se estabelece:
<disp-quote>
<p>o mestre capoeirista negro n&#x00E3;o <italic>ensina</italic> a seu disc&#x00ED;pulo &#x2014; pelo menos de maneira como a pedagogia ocidental entende o verbo <italic>ensinar</italic>, ou seja, o mestre n&#x00E3;o verbaliza nem conceitua o seu saber para do&#x00E1;-lo metodicamente ao aluno. Tamb&#x00E9;m n&#x00E3;o interroga, nem decifra. Ele <italic>inicia</italic>: cria as condi&#x00E7;&#x00F5;es de aprendizagem, (forman-do a roda de capoeira) e assiste a elas. &#x00C9; um proces-so sem qualquer intelectualiza&#x00E7;&#x00E3;o, em que se busca um reflexo corporal comandado, n&#x00E3;o pelo c&#x00E9;rebro, mas por algo <italic>indeterminado</italic> resultante dessa inicia-&#x00E7;&#x00E3;o do corpo (<xref rid="R32" ref-type="bibr">Sodr&#x00E9;, 1988</xref>, p. 212).</p>
</disp-quote></p>
<p>Esse algo indeterminado, mencionado por Sodr&#x00E9;, vem pela experi&#x00EA;ncia na roda, na mandinga mencionada por Rufino (<xref rid="R29" ref-type="bibr">2023</xref>), mas principalmente na constru&#x00E7;&#x00E3;o da a&#x00E7;&#x00E3;o no vazio, ou seja, na aus&#x00EA;ncia deixada pelo colonialismo, num sentido de apagamento da mem&#x00F3;ria, da tentativa de esquecimento das coisas (<xref rid="R25" ref-type="bibr">Pollak, 1989</xref>). Apenas pelo ato de repeti&#x00E7;&#x00E3;o, de afirma&#x00E7;&#x00E3;o do que se experimenta &#x00E9; que poder&#x00ED;amos ter uma no&#x00E7;&#x00E3;o de realidade, numa esp&#x00E9;cie de afirma&#x00E7;&#x00E3;o racional. Simas (<xref rid="R30" ref-type="bibr">2021</xref>) exp&#x00F5;e o pensamento de que o Brasil descobriu no vazio a possibilidade da vida existir. Ou seja, no v&#x00E3;o das coisas, o movimento se estabelece como um preenchimento do vazio. Isso pode ser identificado, por exemplo, no movimento do capoeira, no drible do futebol, na ocupa&#x00E7;&#x00E3;o do espa&#x00E7;o etc. Podemos compreender esse preenchimento dos espa&#x00E7;os vazios tamb&#x00E9;m como uma no&#x00E7;&#x00E3;o de sentido, como uma compreens&#x00E3;o de ser sobre aquele objeto. Essa compreens&#x00E3;o, trazida atrav&#x00E9;s de uma pr&#x00E1;tica, cabe aos saberes populares.</p>
<p>O que percebemos &#x00E9; um avan&#x00E7;o na documenta&#x00E7;&#x00E3;o, no registro desses saberes, de forma a construir um conhecimento que, segundo Nascimento (2019), tem que ser nomeado, tem de ser falado, tem de ser transmitido Assim como &#x00E9; necess&#x00E1;ria essa iniciativa e continuidade epist&#x00EA;mica, tais filosofias, que tamb&#x00E9;m s&#x00E3;o formas de compreender pol&#x00ED;ticas e &#x00E9;ticas sobre uma sociedade, n&#x00E3;o dependente de uma outra filosofia, principalmente a do colonizador. Obras como as usadas aqui, seja por Luiz Rufino, Luiz Ant&#x00F4;nio Simas, Abdias Nascimento, Muniz Sodr&#x00E9;, entre outros aqui citados, s&#x00E3;o constru&#x00E7;&#x00F5;es de uma sabedoria popular brasileira, que como afirma Ailton Krenak e Davi Kopenawa (2021), n&#x00E3;o fazem do Brasil ainda uma na&#x00E7;&#x00E3;o, mas s&#x00E3;o parte de uma composi&#x00E7;&#x00E3;o complexa a qual o Brasil se desdobra e se comp&#x00F5;e.</p>
</sec>
</sec>
<sec id="sec4">
<title>Resultados</title>
<p>Conclu&#x00ED;mos que a Ci&#x00EA;ncia da Informa&#x00E7;&#x00E3;o, nesse sentido, tem papel interessante na pesquisa sobre esse tipo de pr&#x00E1;tica e de reflex&#x00E3;o cient&#x00ED;fica, no que tange uma esp&#x00E9;cie de a&#x00E7;&#x00E3;o anal&#x00ED;tica sobre como o controle sobre da informa&#x00E7;&#x00E3;o talvez n&#x00E3;o seja a &#x00FA;nica resposta para compreendermos um futuro da sociedade. Isso porque a no&#x00E7;&#x00E3;o de documentar um conhecimento, assim como preserv&#x00E1;-lo, faz com que ele se fa&#x00E7;a presente no debate sobre uma sociedade. As hip&#x00F3;teses aqui trazidas s&#x00E3;o vias destas tentativas.</p>
<p>A Ci&#x00EA;ncia da Informa&#x00E7;&#x00E3;o, at&#x00E9; pelo seu car&#x00E1;ter interdisciplinar (<xref rid="R7" ref-type="bibr">Borko, 1968</xref>) faz com que possamos v&#x00EA;-la n&#x00E3;o como uma ci&#x00EA;ncia dura, como podemos perceber em outras disciplinas, tal como a pr&#x00F3;pria filosofia e a &#x00E9;tica, mas sim como um campo de inter rela&#x00E7;&#x00F5;es, as quais possibilitam a mesma trazer para perto um objeto de pesquisa e desdobr&#x00E1;-lo, como um mosaico de possibilidades de an&#x00E1;lise cient&#x00ED;fica. Esse trabalho se fez poss&#x00ED;vel nessa perspectiva.</p>
<p>O que podemos constatar na quest&#x00E3;o da quest&#x00E3;o da &#x00E9;tica como uma base de reflex&#x00E3;o e debate filos&#x00F3;fico, foi uma aus&#x00EA;ncia de aplica&#x00E7;&#x00E3;o maior sobre as pr&#x00F3;prias demandas da sociedade brasileira, frente a sua forma&#x00E7;&#x00E3;o hist&#x00F3;rica e cultural, devido principalmente a sua experi&#x00EA;ncia de col&#x00F4;nia. Visto isso, esse trabalho prop&#x00F5;e n&#x00E3;o somente uma reflex&#x00E3;o &#x00E9;tica e pol&#x00ED;tica dos fluxos de informa&#x00E7;&#x00E3;o e do comportamento nessa sociedade, tendo como ponto de inflex&#x00E3;o os conceitos ligados &#x00E0; sociedade.</p>
<p>Junto a isso, se faz presente tamb&#x00E9;m uma proposta de analisar uma poss&#x00ED;vel filosofia popular brasileira, que surge destas experi&#x00EA;ncias, e que vem sendo objeto de pesquisa por parte de educadores, historiadores e fil&#x00F3;sofos brasileiros, mais precisamente da regi&#x00E3;o metropolitana do Rio de Janeiro. Esse tipo de pensamento flerta bastante com a constru&#x00E7;&#x00E3;o da figura bo&#x00EA;mia carioca, mais precisamente do malandro, por raz&#x00E3;o do jogo de corpo que apresenta na sua forma de se expor.</p>
<p>O uso desse tipo de figura, o capoeira, como uma analogia metaf&#x00F3;rica sobre a maneira como o Brasil poderia lidar com a reflex&#x00E3;o &#x00E9;tica e pol&#x00ED;tica sobre a constru&#x00E7;&#x00E3;o de sua sociedade, n&#x00E3;o &#x00E9; de fato uma novidade. N&#x00E3;o trazemos esse exemplo como um ato de originalidade temporal. Mas percebemos uma crescente desse tipo de reflex&#x00E3;o, ou mesmo um retorno a essa estrat&#x00E9;gia de pensamento, frente a sua associa&#x00E7;&#x00E3;o com a sociedade de conhecimento. Essa <italic>fresta</italic> promovida por esse tipo de momento hist&#x00F3;rico possibilita tal iniciativa dos pensadores brasileiros.</p>
<p>Caetano Veloso na m&#x00FA;sica <italic>Jeito de Corpo</italic> (1981), ao iniciar a can&#x00E7;&#x00E3;o, menciona que "<italic>Eu &#x2019;to fazendo saber/ Vou saber fazer tudo de que eu sou a fins"</italic>. Essa mensagem do compositor baiano &#x00E9; uma s&#x00ED;ntese do que procuramos revelar nesse trabalho, que buscou apresentar as propostas de sabedoria popular que, atrav&#x00E9;s de trabalhos cient&#x00ED;ficos, publica&#x00E7;&#x00F5;es de livros, palestras etc, vem sendo produzida no territ&#x00F3;rio brasileiro. Utilizamos a capoeira como um recurso imag&#x00E9;tico, caracter&#x00ED;stico do Brasil e que vem de heran&#x00E7;a da di&#x00E1;spora africana.</p>
<p>O uso da corporeidade n&#x00E3;o &#x00E9; &#x00E0; toa neste trabalho, uma vez que o corpo &#x00E9; tratado, ao longo da hist&#x00F3;ria, como um campo pertencente ao movimento das emo&#x00E7;&#x00F5;es, dos instintos, ou seja, um objeto de controle das a&#x00E7;&#x00F5;es e das narrativas populares. Domar um corpo, masculino ou feminino, &#x00E9; promover a este limites de espa&#x00E7;o. Mestre Pastinha, uma das principais vertentes da Capoeira Angola praticada no Estado da Bahia, dizia em seu Caderno Alba, um manuscrito de filosofia popular, o seguinte: "<italic>Amigos o corpo &#x00E9; um grande sistema de raz&#x00E3;o, por detr&#x00E1;s de nossos pensamentos acha-se um senhor poderoso, um s&#x00E1;bio desconhecido</italic>." (<xref rid="R15" ref-type="bibr">Decanio Filho, 1997</xref>).</p>
<p>Podemos dizer que o que antes era desconhecido, segundo Mestre Pastinha, vem ganhando corpo enquanto pensamento, a&#x00E7;&#x00E3;o, conhecimento disseminado, e que &#x00E9; capaz de mudar sociedades. Da mesma forma como se aproveitou das frestas deixadas pela sociedade do conhecimento, a sabedoria popular &#x00E9; um recurso, sen&#x00E3;o uma interessante via, de se compreender melhor um Brasil que se manteve nas frestas, por tempo demais.</p>
</sec>
</body>
<back>
<ref-list>
<title>Refer&#x00EA;ncias</title>
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